Guia para a primeira viagem de avião

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O documento

Separe o documento necessário para viagem. Para voos nacionais, pode-se utilizar o RG, carteira de motorista, passaporte nacional ou a carteira de trabalho, originais ou cópias autenticadas. Deixe-o sempre a mão, pois ele será pedido mais de uma vez. Para viagens internacionais, são necessários o passaporte, com o visto do local a ser visitado (se o país exigir). E, para alguns destinos, são necessários também comprovantes de vacinas específicas.

Bagagem

Cada passageiro, incluindo as crianças, tem direito a levar uma mala grande despachada no momento do check-in, que deve ter no máximo 23 quilos, no caso dos voos nacionais. Se houver excesso, você deve pagar uma taxa extra. Vale identificar a bagagem com um adesivo ou com alguma fita para não confundi-la com a de outra pessoa na hora da retirada. É recomendável colocar também um cadeado para proteger os pertences.

NO AEROPORTO

Que horas eu devo chegar ao aeroporto?

Para viagens dentro do Brasil, o ideal é chegar ao aeroporto pelo menos uma hora antes do horário do voo para poder realizar todos os procedimentos sem correria. Para voos internacionais, chegue com no mínimo duas horas de antecedência.

O que fazer ao chegar? Como faço o check-in?

Ao chegar ao aeroporto, procure pelo balcão de embarque da companhia aérea em que irá viajar. É o momento de fazer o check-in, que consiste simplesmente no ato de se apresentar com o documento de identificação. Se possível, leve o bilhete da passagem aérea emitido no momento da compra (chamado também de e-ticket). Isso facilita a vida do atendente.

Você deve entregar a mala grande no check-in. Ela será pesada, identificada e despachada. O funcionário lhe entregará o cartão de embarque com informações sobre o seu voo. Guarde bem este papel, pois ele garante sua entrada no avião.

Como embarco no avião?

Feito o check-in, você deve procurar pelo local onde são feitos os embarques. Há um salão para Embarque Doméstico (voos dentro do Brasil) e outro para Embarque Internacional (voos para o exterior). É obrigatório passar pelo detector de metais. Lembre-se de tirar todos os objetos metálicos que portar (chaves, moedas, cinto), que devem passar junto com a bagagem de mão no raio-X. Após isso, é a hora de procurar pelo portão de embarque, cujo número está indicado no cartão.

NO AVIÃO

Pode ou não pode?

Dentro do avião, procure por seu assento assinalado no cartão de embarque. Os comissários de bordo explicarão os procedimentos de segurança. Os aparelhos eletrônicos devem ser desligados na hora do pouso e da decolagem. O celular precisa permanecer o tempo todo desligado ou na opção flight mode. Não é permitido fumar a bordo. Durante a viagem, será servido algum lanche e bebidas, mas se o voo for longo, o melhor é alimentar-se bem antes ou levar petiscos a bordo. Se quiser, pode tirar fotos dentro do avião para registrar o momento, só procure não incomodar os demais passageiros.

Qual a diferença entre escala e conexão?

Na hora de comprar a sua passagem, você verá que alguns voos são diretos para o destino escolhido e outros têm conexão ou escala em outras cidades.

Em voos com conexão, o passageiro desembarca da aeronave em outra cidade e embarca em outro avião rumo ao destino final. Se este for o seu caso, siga as indicações dos agentes aeroportuários. Eles indicam aos “passageiros em trânsito” o portão e o horário de embarque do próximo voo. Nos voos nacionais, as malas são transferidas para outra aeronave pelos próprios funcionários da companhia aérea. Portanto, não é preciso se preocupar com a sua.

Nos voos com escala, o avião aterrissa em uma ou mais cidades antes do destino final, para desembarque e embarque de outros passageiros. Porém, não é preciso deixar a aeronave.

Desembarcando

Ao sair do avião, procure pela esteira assinalada com o número do seu voo e fique atento a sua mala.

Como pego a minha bagagem?

Ao chegar ao destino final, você deve ir até a área de desembarque e procurar pela esteira assinalada com o número do seu vôo. É lá que você pegará sua bagagem. Na dúvida, basta seguir as pessoas de seu voo. Fique de olho até aparecer a sua mala e confira, antes de pegá-la, se é mesmo a sua. Não se preocupe se não conseguir pegar sua bagagem na primeira vez, pois ela passará de novo.

E se a mala for extraviada?

O primeiro passo é procurar o balcão da companhia aérea e registrar a reclamação. A companhia tem a obrigação de reembolsar o passageiro nos casos em que as malas não aparecem. É preciso preencher um documento chamado RIB (Registro de Irregularidade de Bagagem), que será enviado ao presidente da empresa.

Nos demais casos, basta ter doses extras de paciência, porque a mala pode ter sido colocada em um voo errado que chegará mais tarde ao destino.

A companhia aérea deve oferecer dinheiro suficiente para que o passageiro use em alimentação, roupas e produtos de higiene pessoal, correspondente ao tempo que a bagagem vai demorar para chegar.

É muito importante saber que todo passageiro, antes de embarcar, tem o direito de declarar tudo que tem dentro da sua bagagem e pagar uma taxa extra (seguro) determinada pela empresa aérea. Nestes casos, a empresa tem o direito de checar se o valor declarado corresponde à realidade e pode verificar toda a mala.

Como fazer uma boa palestra ou apresentação

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Se você lidera uma equipe, fazer palestras ao seu time é algo que faz parte de sua rotina. Seja para cobrar resultados, apresentar as próximas metas ou sugerir melhorias, apresentações recorrentes se fazem necessárias à rotina de todo líder. E sua equipe espera isso de você.

Da mesma forma, se você é vendedor e visita prospects com frequência para apresentar produtos ou serviços ser um bom palestrante também é uma de suas obrigações.

Foi pensando nisso que escrevi este artigo. A intenção é compartilhar um pouco de minha experiência como palestrante de vendas. Já foram mais de 600 palestras ao longo de 15 anos percorrendo o Brasil e América Latina.

Como preparar uma boa palestra?

As primeiras perguntas que você deve se responder antes de criar sua palestra são:

  • Qual é a causa que você vai defender?
  • O que você quer que as pessoas aprendam?
  • Qual é o seu objetivo na apresentação?

Esta preparação prévia é importante porque as pessoas só conseguem acreditar em algo ou alguém quando percebem que o palestrante está defendendo uma causa.

Quando o palestrante consegue transmitir a causa que defende o público passa a enxergá-lo de uma maneira diferente: como um defensor de algo muito forte. E é aí que você surpreende e encanta.

Domine o tema de sua apresentação

Antes de mais nada, uma boa palestra é construída a partir do domínio completo sobre o assunto que você vai falar. Quer um exemplo?

Conheço pessoas que dizem sentir calafrios só de pensar em falar em público, mas se eu falar para elas algo como “seu filho é muito feio”, elas vão na hora me rebater, não importa se estivermos apenas nós dois ou perante uma multidão – simplesmente porque o filho é uma grande causa para elas.

Portanto, quando você tem uma causa em que acredita e domina você é capaz de se impor e ter a auto-confiança necessária para conduzir com maestria uma palestra para uma grande audiência ou uma apresentação para poucas pessoas.

Se você precisa apresentar um produto a um grupo de prospects, por exemplo, é sua obrigação saber:

  • O que ele pode proporcionar ao público que está falando?
  • Que problemas ele pode resolver?
  • Como exatamente ele fará isso? (Exemplos)
  • O que a falta dele pode causar de problemas?

Dica prática

A técnica do 5W2H pode ser bastante útil no planejamento da sua palestra. Elas consiste em encontrar respostas para as seguintes perguntas aqui já traduzidas do original em inglês:

* O que

* Quando

* Onde

* Quem

* Por que

* O que

* Quanto

Conheça muito bem o público

Algumas perguntas sobre o público também deve ser respondidas do planejamento prévio de sua apresentação:

* Quem são as pessoas para quem você vai falar?

* O que elas precisam ouvir?

* Como elas preferem receber a mensagem?

* O que eu quero que elas entendam?

* Quais são as expectativas delas com a minha apresentação?

* Quais são as minhas expectativas?

* Que ferramentas, técnicas, mídias, exemplos e conceitos vai utilizar na apresentação?

Quando você conhece bem a si mesmo e aos receptores da sua mensagem você consegue construir a ponte que liga você ao público.

Tendo esse conhecimento você saberá se e que tipos de slides serão mais eficientes, se exibir trechos de filmes é uma boa opção, se contar piadas é uma boa ideia e assim por diante.

 

12 dicas para fazer uma palestra interessante

Planejar o que será dito, saber alguns macetes no computador e conhecer as tecnologias disponíveis no dia podem contribuir para uma boa apresentação em um evento

Não fuja do microfone. Na realidade é bem fácil ser um bom orador. Se você tem uma palestra em breve a fazer e deseja que suas palavras se destaquem, confira a seguir 12 dicas importantes para que seu discurso não seja irrelevante aos ouvidos do público:

1) Aprenda ao máximo sobre sua audiência antes de falar
Essa dica é útil para falar em qualquer situação. Mesmo que você não saiba com antecedência sobre a organização, é possível obter informações que podem acrescentar ao público. Isso é possível até mesmo tomando um café com algum funcionário. Ao começar a apresentação mostre que você sabe o que é importante para o grupo.

2) Descubra se existem regras para ministrar as palestras
Os membros da plateia esperam receber apostilas? Vai existir uma sessão de perguntas e respostas? Descubra qual a melhor maneira de você compartilhar suas informações de contato com cada membro da audiência.

3) Planeje sua apresentação para que você possa reduzi-la quando necessário
Mesmo que tenha sido dito que você terá 45 minutos para fazer sua apresentação, você pode receber uma surpresa de que seu tempo foi reduzido para 30. Não mostre a sua audiência que você diminuirá o tempo, mas com planejamento você pode expor os pontos principais.

4) Tenha tempo extra para chegar o local do evento
Se você nunca esteve antes no local faça o trajeto para descobrir eventuais fatores que possam causar atraso, como construção, trens, local de estacionamento e outras distâncias.

5) Saiba qual tecnologia que você poderá usar
Saber se haverá computador é essencial para não atrasar sua apresentação, bem como alguns macetes como escurecer a tela, ligar alguns cabos, entre outros. Se você comprou um novo controle remoto para rodar o PowerPoint teste antes, pois no meio da palestra não é a hora para aprender a mexer.

6) Tenha sempre um plano B
Sempre tenha consigo cópias e notas sobre sua apresentação para no caso de haver algum problema com o PowerPoint você mesmo assim saber as diretrizes do que irá dizer. Não deixe também de sempre levar mais de um pen-drive com sua apresentação salva em PowerPoint e PDF.

7) Não permita que o público olhe nada em seu computador
Sempre inicie seu computador e abra os arquivos que serão usados antes do público estar sentado esperando pela palestra.

8) Não conte com a Internet
Se você pretende mostrar um vídeo no YouTube, sempre baixe o arquivo em seu computador, pois nunca se sabe se haverá conexão disponível durante sua apresentação.

9) Deixe suas informações sempre no final da apresentação
O ideal é ficar na última tela, para que a audiência possa anotar durante a sessão de Perguntas e Respostas

10) Carregue seus slides no SlideShare um dia antes de sua apresentação
É interessante que o público possa ter acesso aos conteúdos apresentados depois da palestra.

11) Não se esqueça: o show tem que continuar
Se você passar por alguma situação desconfortante ou chegar encharcado em uma apresentação devido ao tempo, dê seu jeito e continue pronto para fazer sua apresentação da melhor maneira possível.

12) Seja precavido
Às vezes, levar alguns equipamentos consigo pode ajudar para uma eventual emergência. Confira alguns que pode ser interessantes deixar sempre na mochila: cabo de computador e força, caixas de som externas, cabo para conectar o computador a alto falantes, projetor, controle de apresentação remoto, conjunto extra de baterias, pastilhas para garganta e cartões de visita.

Mais Dicas

Fonte: Universia Brasil

COMO ELABORAR UMA RESENHA CRÍTICA

Resenha

1.1. CONCEITO E FINALIDADE

Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista.

A resenha, em geral, é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica.

A finalidade de uma resenha é informar o leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto tratado no livro, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra.

O resenhista deve resumir o assunto e apontar as falhas e os erros de informação encontrados, sem entrar em muitos pormenores e, ao mesmo tempo, tecer elogios aos méritos da obra, desde que os sinceros e ponderados.

Entretanto, mesmo que o resenhista tenha competência na matéria, isso não lhe dá o direito de fazer juízo de valor ou deturpar o pensamento do autor.

O resenhista não deve “tentar dizer que poderia ter produzido obra melhor, não deve procurar ressaltar suas próprias qualidades às custas de quem escreveu o livro comentado; e não há lugar, numa resenha científica, para perguntas retóricas ou para sarcasmos” (Barrass, 1979: 139).

1.2. REQUISITOS BÁSICOS

Para a elaboração de uma resenha crítica são necessários alguns requisitos básicos; Salvador (1979:139) aponta:

“(a) conhecimento completo da obra;

b) competência na matéria;

c) capacidade de juízo de valor;

d) independência de juízo;

e) correção e urbanidade;

f) fidelidade ao pensamento do autor”.

1.3. IMPORTÂNCIA DA RESENHA

Ante a explosão da literatura técnica e científica e a exiguidade de tempo do trabalho intelectual, sem condições de ler tudo o que aparece sobre o campo de seu interesse, o recurso é voltar-se para a resenha. A resenha crítica foi uma das formas encontradas para solucionar esse problema que afligia os cientistas de modo geral.

No campo da comunicação técnica e científica, a resenha é de grande utilidade porque facilita o trabalho do profissional ao trazer um breve comentário sobre a obra e uma avaliação da mesma. A informação dada ajuda na decisão da leitura ou não do livro.

A resenha, segundo Barrass (1979:139), deve responder a uma série de questões. Entre elas figuram:

a)   assunto, características, abordagens;

b)   conhecimentos anteriores, direcionamento;

c)   acessível, interessante, agradável;

d)   útil, comparável;

e)   disposição correta, ilustrações adequadas.

 1.4. ESTRUTURA DA RESENHA

 Mesmo não fazendo parte dos trabalhos científicos de primeiro nível, a resenha crítica apresenta a estrutura descrita abaixo.

1. Referência Bibliográfica

             Autor (es)

Título (subtítulo)

Imprensa (local da edição, editora, data)

Número de páginas

Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc.)

2. Credenciais do Autor

Informações gerais sobre o autor

Autoridade no campo científico

Quem fez o estudo?

Quando? Por quê? Onde?

3. Conhecimento

             Resumo detalhado das idéias principais

De que trata a obra? O que diz?

Possui alguma característica especial?

Como foi abordado o assunto?

Exige conhecimentos prévios para entende-lo?

4. Conclusão do Autor

             O autor faz conclusões? (ou não?)

Onde foram colocadas? (final do livro ou dos capítulos?)

Quais foram?

5. Quadro de Referências do Autor

             Modelo teórico

Que teoria serviu de embasamento?

Qual o método utilizad

6. Apreciação

            a) Julgamento da obra:

Como se situa o autor em relação:

– às escolas ou correntes científicas, filosóficas, culturais?

-às circunstâncias culturais, sociais, econômicas, históricas etc.?

b) Mérito da obra:

Qual a contribuição dada?

Idéias verdadeiras, originais, criativas?

Conhecimentos novos, amplos, abordagem diferente?

c) Estilo:

Conciso, objetivo, simples?

Claro, preciso, coerente?

Linguagem correta?

Ou o contrário?

d) Forma:

Lógica, sistematizada?

Há originalidade e equilíbrio na disposição das partes?

e) Indicação da Obra:

A quem é dirigida: grande público, especialistas, estudantes?

1.5. MODELO DE RESENHA

Seguindo a estrutura que se espera de uma resenha crítica, o Prof. Antonio Rubbo Muller, diretor da Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, instituição complementar da Universidade de São Paulo, criou um modelo simplificado que apresenta todas as partes necessárias para a perfeita compreensão do texto resenhado. Divide-se em nove itens, assim relacionados:

I) OBRA

a)   Autoria (autor ou autores)

b)   Título (incluindo subtítulo, se houver)

c)   Comunidade onde foi publicada

d)   Firma publicadora

e)   Ano de publicação

f)     Edição (a partir da segunda)

g)   Número de páginas ou de volumes

h)   Ilustrações (tabelas, gráficos, desenhos etc.)

i)     Formato (em cm)

j)     Preço

II) CREDENCIAIS DA AUTORIA

a)   nacionalidade

b)   formação universitária ou especializada

c)   títulos

d)   cargos ou exercícios

e)   outras obras;

III) CONCLUSÕES DA AUTORIA

a)   quer separadas no final da obra, quer apresentadas no final dos capítulos, devem ser sintetizadas as principais conclusões a que o autor da obra resenhada chegou em seu trabalho

b)   caso não se apresentem separadas do corpo da obra, o resenhista, analisando o trabalho, devem indicar os principais resultados obtidos pelo autor.

IV) DIGESTO

a)   resumo das principais idéias expressa pelo autor

b)   descrição sintetizada do conteúdo dos capítulos ou partes em que se divide a obra

V) METODOLOGIA DA AUTORIA

a)    método de abordagem (indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético)

b)    método de procedimento (histórico, comparativo, monográfico, estatístico, tipológico, funcionalista, estruturalista, etnográfico etc.)

c)    modalidade empregada (geral, específica, intensiva, extensiva, técnica, não técnica, descritiva, analítica etc.)

d)    técnicas utilizadas (observação, entrevista, formulários, questionários, escolas de atitudes e de opinião etc.)

 VI) QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA

a)    corrente de pensamento em que filia (evolucionismo, materialismo histórico, historicismo, funcionalismo etc.)

b)    modelo teórico (teoria da ação social, teoria sistêmica, teoria da dinâmica cultural etc.)

VII) QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA

O resenhista pode aceitar e utilizar, na análise da obra, o quadro de referência empregado pelo autor ou, ao contrário, pela sua formação científica, possuir outro. É necessária a explicitação do quadro de referência do resenhista, pois o mesmo terá influência decisiva tanto na seleção dos tópicos e partes que considera mais importantes para a análise quanto na elaboração da crítica que se segue.

VIII) CRÍTICA DO RESENHISTA

a)   julgamento da obra do ponto de vista metodológico:

  • coerência entre a posição central e a explicação, discussão e demonstração
  • adequado emprego de métodos e técnicas específicas

b)   mérito da obra:

  • originalidade
  • contribuição para o desenvolvimento da ciência, quer por apresentar novas idéias e/ou resultados, quer por utilizar abordagem diferente

c)   estilo empregado

IX) INDICAÇÕES DO RESENHISTA

a)   a quem é dirigida (especialistas, estudantes, leitores em geral)

b)   fornece subsídios para o estudo de que disciplina(s)?

c)   pode ser adotado em que tipo de curso?

1.6. EXEMPLO DE RESENHA

 I) OBRA

PEREIRA, João Baptista Borges. Cor, profissão e mobilidade: o negro e o rádio de São Paulo, São Paulo: Pioneira, EDUSP, 1967.285.p.il. 21 cm x 13,6 cm. Cr$ 1.585,00.

II) CREDENCIAIS DA AUTORIA

  João Baptista Borges Pereira é brasileiro. Graduou-se em Ciências Sociais pela USP. Obteve o grau de mestre na Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo; doutorou-se pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo; é livre-docente pela mesma faculdade.

Exerceu o magistério em todos os níveis de ensino, tendo sido diretor em ginásios no interior do Estado de São Paulo. Durante quatro anos foi responsável pela cadeira de Antropologia e Etnografia Geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente e, posteriormente, foi assistente da cadeira de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sendo atualmente titular de Antropologia e chefe do Departamento de Ciências Sociais.

Publicou as seguintes obras: Italianos no Mundo Rural Paulista e A Escola Secundária numa Sociedade em Mudança.

III) CONCLUSÕES DA AUTORIA

O meio radiofônico representa uma área de excepcional aproveitamento profissional do negro e do mulato, embora existam algumas resistências, manifestas ou não, à ampliação das atividades desses elementos humanos nesse meio e no campo ocupacional adjacente. Esse aproveitamento é excepcional sobretudo no que se refere às possibilidades de acesso do homem de cor a inéditas e variadas oportunidades existentes em nossa sociedade para os que se dedicam à profissão de radialista.

No todo da sociedade brasileira, o negro enfrenta dois estágios de barreiras à sua ascensão: o primeiro representado por fatores sociais e educacionais, resultantes do fato de pertencer o negro, geralmente, às camadas sociais mais baixas da população; o segundo estágio, que se refere ao problema racial propriamente dito, atinge apenas aqueles indivíduos que obtiveram condições profissionais de competir em áreas mais destacadas da atividade profissional, e que são uma minoria.

O primeiro passo na marcha-ascensional da carreira do radialista negro refere-se ao fator econômico. Ao obter uma remuneração melhor, ele procura adquirir bens de consumo e símbolos de “status”, tais como: uma moradia melhor do que a que possuía anteriormente, eletrodomésticos, roupas, etc.  Num segundo momento vem a preocupação com a instrução dos filhos, pois ele acredita que o problema do negro na sociedade brasileira seja, sobretudo, um problema de falta de instrução. Vem a seguir o lazer, em especial as viagens de férias. A poupança não foi detectada como um fator marcante nas aspirações e práticas do grupo estudado.

Estas conquistas são resultados que o homem de cor obteria com outras profissões, caso lhe fosse possível alcançar nelas o nível de rendimento econômico.

Como resultados diretos de sua atividade de radialista, o negro obtém popularidade e destaque, bem como a possibilidade de viajar, algumas vezes até para o exterior.

Por outro lado, se no plano profissional ele recebe dos colegas um tratamento de igualdade e cordialidade, esse relacionamento não se estende para foram do ambiente profissional.

A profissão de radialista é alvo de estereótipos negativos quanto à moralidade. Desta maneira, o negro radialista é duplamente atingido pelos estereótipos: por ser negro e por ser radialista.

Finalizando, verifica-se que, nos primeiros estágios de sua carreira, o negro radialista vive a euforia dos bens materiais obtidos, e somente num estágio posterior ele descobre que essa ascensão econômica não corresponde a uma equivalente ascensão social.

V) DIGESTO

Depois da Primeira Grande Guerra Mundial inicia-se no Brasil o processo de industrialização. E ao Brasil rural, cuja sociedade se divide em estamentos, contrapõe-se um Brasil urbano, cuja sociedade é de classes.

Além do crescimento natural, as populações aumentam também em resultados das migrações internas, que começam a existir e, sobretudo, devido à migração estrangeira modificam o panorama étnico brasileiro. Modifica-se a pirâmide social, e as Revoluções de 22, 24 e 30 atestam tal fato. O operariado aumenta em proporção superior à da população, a publicidade começa a entrar em cena como estimuladora do consumo.

Como consequência dessas mudanças, a estrutura ocupacional se amplia e diversifica, abrindo novas oportunidades de trabalho remunerado e fazendo surgir novas profissões. Cor, nacionalidade, posição de família, fortuna e grau de escolaridade passam a ser fatores de posicionamento dos indivíduos nos novos grupos sociais.

É dentro desse quadro de efervescência que surge e se desenvolve a radiofusão.

O rádio surgiu no Brasil como uma proposta educacional. Posteriormente, a realidade de seus altos custos obrigaram que se recorresse à publicidade como fonte de receita. Por outro lado, o desenvolvimento industrial fazia necessária a procura de novas mídias, e o rádio oferecia-se como adequado para tal.

Três grupos, externos ao rádio mas a ele ligados, exercem influência sobre seus rumos: os anunciantes, os publicitários e o público. O anunciante pode tentar influir no padrão da emissora, pois é de seu interesse que a emissora obtenha boa audiência. O publicitário atua como intermediário entre a emissora e o anunciante. O público atua de várias maneiras, de acordo com seu grau de interesse e participação. A maioria só influi na programação numericamente, detectada através de pesquisas de audiência. Uma pequena parcela participa através de cartas e telefonemas e outra, ainda menor, comparece aos auditórios. Por fim, existem os calouros e fãs-clubes.

O rádio, como estrutura empresarial, divide-se em três setores: administrativo, técnico e programático, sendo que, nesse último, a hierarquia não segue os padrões formais, inexistindo a correspondência entre cargo e poder. Também é nesse setor que aparecem oportunidades profissionais para aqueles que não têm escolaridade nem formação técnica.

O Censo de 1950 acusava 37,5% da população brasileira como sendo de cor, 11,2% no Estado de São Paulo e 10,2% da população no município de São Paulo. Para os indivíduos de cor, a integração no sistema sócio-econômico é difícil, sendo as posições de maior destaque e melhor remuneração obtidas mais facilmente pelos brancos. Contudo, no setor programático do rádio, em especial como cantor popular, o negro encontra possibilidade de participação e ascensão.

Também a frequência a programas de calouros é importante. Alguns indivíduos a vêem como possibilidade de entrar para o meio radiofônico como profissionais, embora, na realidade, a porcentagem de aproveitamento desses elementos seja inexpressiva. Outros, mesmo conscientes dessa impossibilidade, apresentam-se como calouros para obter uma compensação da sua realidade cotidiana, que lhe é oferecida pelo contato com pessoas famosas e por uma notoriedade momentânea quando se apresenta no programa e é visto e aplaudido.

Entre as dificuldades que o negro encontra para penetrar no rádio, poucos entrevistados se referem à cor como fator de influência. Atribuem essa dificuldade à falta de instrução, falta de “padrinho” e falta de talento. Tanto entre profissionais como entre os calouros, o tema cor é um tabu, existindo pouca consciência dos problemas raciais. Os negros que obtêm sucesso servem como mitos e incentivos aos que buscam.

A partir da década de 20 surge no meio musical brasileiro uma procura das raízes nacionais em contraposição aos valores europeus. Nesse contexto, a música negra obtém aceitação e destaque. A expansão do rádio colaborou para a difusão da música urbana, permitindo maior destaque para música de origem negra divulgada através do rádio. A revalorização da música e de todo o complexo cultural a ela ligado trouxe consigo a valorização do elemento humano identificado com ela: o negro.

V) METODOLOGIA DA AUTORIA

O autor utiliza o método indutivo, recorrendo aos procedimentos analíticos e interpretativos fornecidos pela Sociologia e Antropologia Cultural. Estruturalismo e funcionalismo foram adotados como um ponto de vista metodológico predominante, tendo recorrido a outras formas de exame dos problemas quando necessário. A modalidade é específica, intensiva, técnica e analítica. Para a coleta de dados foram utilizadas as seguintes técnicas: entrevistas formais e informais, história de vida, observação participante e, como recurso secundário, questionários.

VI) QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA

O autor adota, neste trabalho, a teoria estrutural-funcionalista e se filia à escola sociológica de São Paulo (Octávio Ianni, Florestan Fernandes) da mesma forma que sofre a influência da linha inglesa da Antropologia Social (Radcliff-Brown).

VII) QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA

 O resenhista utiliza como quadro de referência a Sociologia Analítica, especificamente os conceitos desenvolvidos por Pitirim A. Sorokin.

VIII) CRÍTICA DO RESENHISTA

Trata-se de obra de cuidadoso rigor metodológico, que explora e conclui sobre os problemas que se propõe a estudar, sem desvios ou distorções. Utiliza várias técnicas de coleta de dados, obtendo assim maior riqueza de informações.

É uma obre original e valiosa porque aborda um dos tabus da sociedade brasileira: o preconceito racial e a situação do negro.

Apresentados num estilo simples e claro, os resultados e a análise destes permitem, inclusive, extrapolações para outros campos de atividade que não o rádio, logicamente se respeitadas as peculiaridades de cada atividade.

IX) INDICAÇÕES DO RESENHISTA

 Esta obra apresenta especial interesse para estudantes e pesquisadores de Sociologia, Antropologia, Etnografia e Comunicação Social. Pode ser utilizada tanto a nível de graduação como de pós-graduação, pois apresenta linguagem simples, sendo também útil como modelo, do ponto de vista metodológico.

Cachaça artesanal

Cachaça Aratesanal

O processo de produção da cachaça artesanal é custoso e cheio de detalhes – uma verdadeira obra de arte. Fazer cachaça é, ao mesmo tempo, ciência, arte, paixão e sabedoria. Tudo é feito com muita calma, cuidado, esmero. Por isto, “artesanal”. Apesar de feita exclusivamente do caldo de cana, sem a adição de produtos químicos, cada cachaça carrega características de seu produtor, o alambiqueiro. Cada um tem seu segredo, que normalmente é transmitido de pai para filho. Os detalhes especiais estão espalhados por todo o processo, desde a escolha do tipo de cana, passando pela época certa da colheita, o tempo de moagem, os ingredientes e o tempo de fermentação, a forma de destilação e os tonéis para o envelhecimento, até o engarrafamento.

       A cana

       É a matéria-prima para a fabricação da cachaça. São cinco as espécies mais utilizadas por várias razões incluindo-se aí o teor de açúcar e a facilidade de fermentação do caldo. A cana usada na produção da cachaça artesanal é colhida manualmente e não é queimada, prática que precipita sua deterioração

       Moagem

       A etapa seguinte no processo de fabricação da cachaça é a moagem. Depois de cortada, a cana madura, fresca e limpa deve ser moída num prazo máximo de 36 horas. As moendas separam o caldo do bagaço, que será usado para aquecer as fornalhas do alambique. O caldo da cana é decantado e filtrado para, em seguida, ser preparado com a adição de nutrientes e levado às dornas de fermentação. Algumas moendas são movidas por motor elétrico, outras por rodas d’água.

       Fermentação

       Como cada tipo de cana apresenta teor de açúcar variado, é preciso padronizar o caldo para depois adicionar substâncias nutritivas que mantenham a vida do fermento. Como a cachaça artesanal não permite o uso de aditivos químicos, a água potável, o fubá de milho e o farelo de arroz são os ingredientes que se associam ao caldo da cana para transformá-lo em vinho com graduação alcoólica, através da ação das leveduras (agentes fermentadores naturais que estão no ar). A sala de fermentação precisa ser arejada e com a temperatura ambiente em 25°. As dornas onde a mistura fica por cerca de 24 horas, podem ser de madeira, aço inox, plástico ou cimento.

       Destilação

       O mosto fermentado, a partir de agora denominado vinho, está pronto para ser destilado e dar origem à cachaça. O vinho de cana produzido pela levedura durante a fermentação é rico em componentes nocivos à saúde, como aldeídos, ácidos, bagaços e bactérias, mas possui baixa concentração alcoólica. Como a concentração fixada por lei é de 38 a 54oGL, é preciso destilar o vinho para elevar o teor de álcool. O processo é fazer ferver o vinho dentro de um alambique de cobre, produzindo vapores que são condensados por resfriamento e apresentam assim grande quantidade de álcool etílico.

       A cachaça de cabeça, obtida na fase inicial da destilação, é rica em substâncias mais voláteis do que o etanol não recomendadas para o consumo sendo portanto descartada. Na prática, os produtores consideram que essa fração corresponde de 5 a 10% do total destilado. A cachaça do coração, a segunda fração destilada, é a cachaça propriamente dita, ou seja, aquela de qualidade elevada. Esta fração corresponde de 75 a 85% do total do produto destilado. A cachaça de cauda, ou “água fraca”, apresenta um maior teor de substâncias menos voláteis e indesejáveis e também é descartada.

       Após a destilação, para corrigir eventuais defeitos de qualidade e dar maior limpidez, transparência e brilho, a cachaça passa por uma etapa de filtração, sendo então enviada para o envelhecimento.

       Envelhecimento – etapa final do processo de produção da cachaça

       Constituindo-se no processo que aprimora a qualidade de sabor e aroma das bebidas, o envelhecimento é a etapa final da elaboração da cachaça artesanal. A estocagem é feita, preferencialmente, em barris de madeira, onde ainda acontecem reações químicas. Existem madeiras neutras, como o jequitibá e o amendoim, que não alteram a cor da cachaça. As que conferem ao destilado um tom amarelado e mudam seu aroma são o carvalho, a umburana, o cedro e o bálsamo entre outras. Cada uma dá um toque especial, deixando a cachaça mais ou menos suave, adocicada e/ou perfumada, dependendo do tempo de envelhecimento.

       Após o período determinado para o envelhecimento a cachaça está pronta para ser engarrafada.

       Os acertos do empirismo do alambiqueiro, a magia de seus gestos, vêm sendo confirmados, nos últimos anos, pelas pesquisas científicas e tecnológicas realizadas por algumas universidades brasileiras visando o aprimoramento da cachaça artesanal. Muitas são as teses de pós-graduação e os trabalhos de pesquisas nos campos da química, da agronomia, da economia, que instituições estão desenvolvendo com o objetivo de enriquecer tecnologias seculares e contribuir para o aprefeiçoamento e melhoria da qualidade da cachaça artesanal.

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Historia da cachaça

Cachaça

História

A cachaça, bebida feita da fermentação e destilação do melaço proveniente da cana-de-açúcar foi descoberta pelos escravos dos engenhos de açúcar em meados do século XVI. Era considerada uma bebida de baixo status perante a sociedade, pois era consumida apenas por escravos e brancos pobres, enquanto a elite brasileira da época preferia vinhos e a bagaceira (aguardente de bagaço de uva), trazidos de Portugal.

Porém, mesmo assim os engenhos de cachaça foram se espalhando, tornando-se a bebida alcoólica mais consumida no Brasil Colônia. Com isso, a Corte Portuguesa proibiu sua produção, comercialização e consumo sob a justificativa de que seu consumo pelos escravos poderia ameaçar a segurança e a ordem da Colônia, e que prejudicava, também, o rendimento dos trabalhadores das minas de ouro e no comércio local. Entretanto, o principal motivo, segundo alguns historiadores, é que a cachaça produzida no Brasil começou a ganhar espaço junto à classe média da época, levando à diminuição do consumo da bagaceira, importada de Portugal e, consequentemente, arrecadando menos impostos.

Como na prática nunca se conseguiu acabar com o consumo da bebida, em meados do século XVIII a Corte Portuguesa decidiu taxar a venda da cachaça, porém sem sucesso, pois a sonegação era muito elevada e a aguardente tornou-se um símbolo de resistência contra a dominação portuguesa.

Quando o produto nacional começou a ganhar força entre todas as classes sociais, alguns setores da elite e da classe média do século XIX e início do XX iniciaram um movimento de preconceito contra a cachaça, uma vez que eles buscavam uma identidade mais próxima da européia.

Somente durante a Semana de Arte de 1922, quando se buscou as raízes brasileiras, é que a cachaça voltou a ser considerada um símbolo da cultura nacional e contra a adoção da cultura européia. E, desde então, é considerada a mais brasileira das bebidas e famosa em todo o mundo.

Cachaça, caninha, pinga, cana e aguardente de cana

Para que o produto receba a denominação de cachaça, deve obedecer os parâmetros estabelecidos pelo Decreto n° 2314, de 4 de setembro de 1997, que regulamenta a padronização e classificação de bebidas.

Sendo a cachaça, caninha, cana ou aguardente de cana toda bebida que utilize a cana-de-açúcar como matéria-prima e com sua graduação alcoólica entre 38% e 54% em volume, a 20° C, podendo ainda ser acrescida de açúcar em até seis gramas por litro, sendo que quando a adição de açúcar for superior a seis e inferior a 30 gramas por litro deve receber a denominação de cachaça adoçada, caninha adoçada ou aguardente de cana adoçada.

 
Consumo e produção 

A aguardente de cana é a terceira bebiba destilada mais consumida no mundo e a primeira no Brasil. Segundo o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça (PBDAC), a produção é em torno de 1,3 bilhão de litros por ano, sendo que cerca de 75% desse total é proveniente da fabricação industrial e 25%, da forma artesanal.

O Brasil consome quase toda a produção de cachaça; por volta de 1% a 2 %, apenas, é exportado (2,5 milhões de litros). Os principais países compradores são: Alemanha, Paraguai, Itália, Uruguai e Portugal (Tabela 1).

 

A cachaça é produzida em todos os Estados brasileiros, mesmo naqueles onde o cultivo da cana-de-açúcar não é favorável. Os maiores produtores de cachaça são: São Paulo (45%), Pernambuco (12%), Ceará (11%), Rio de Janeiro (8%), Minas Gerais (8%), Goiás (8%), Paraná (4%), Paraíba (2%) e Bahia (2%), sendo os três primeiros responsáveis por quase toda produção de cachaça industrial (Figura 1).

A produção de cachaça artesanal ou de alambique está concentrada nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo, sendo que os estados mineiro e fluminense contribuem com quase 50% de toda a produção de cachaça de alambique do Brasil.

Cachaça de alambique e industrial

Embora a legislação não estabeleça distinção entre os produtos finais das destilarias industriais e dos alambiques artesanais, existem, na prática, muitas diferenças entre cachaça de alambique e cachaça industrial.

As cachaças industriais são controladas por empresas e a cana-de-açúcar é cultivada em grandes áreas, enquanto a pinga artesanal é produzida em pequena escala por pequenos produtores, em sua maioria utilizando mão-de-obra familiar. Estima-se que existam por volta de 40 mil produtores de cachaça artesanal no Brasil.

 

O processo de produção também é diferente, pois em larga escala utiliza-se, muitas vezes, colunas de destilação e tonéis de aço-inox, a adição de produtos químicos na fermentação e não se separa a parte nobre do destilado. No processo artesanal, a destilação é feita em alambiques de cobre (Figura 2) e a fermentação ocorre de forma natural.

A parte nobre da cachaça é separada das impurezas com o objetivo de dar mais qualidade ao produto artesanal e, por fim, vem o processo de envelhecimento em tonéis de madeira (carvalho, bálsamo, além de espécies nativas do País).

Fabricação da cachaça
 
A fabricação de cachaça ocorre seguindo basicamente os mesmos processos da fabricação do etanol combustível, como mostra a Figura 5, com diferenças nas etapas a partir de destilação.  

A cana colhida é levada para a moenda (Figura 6) para a extração do caldo, que é é filtrado e vai para a dorna de decantação com o objetivo de separar impurezas, como bagacilhos, terra e areia. A diluição do caldo é o processo em que se prepara o caldo de cana para atingir o teor de sacarose entre 14 e 16 graus Brix. Isto acontece com a adição de água de boa qualidade na dorna de diluição. Ainda nesta etapa, pode-se adicionar ácido sulfúrico para evitar a contaminação do caldo por bactérias que podem produzir outros compostos prejudiciais à qualidade final da cachaça.

 

Na fermentação (Figura 7) utiliza-se a levedura Saccharomyces cerevisae, comumente encontrada em supermercados e padarias. Nas pequenas fábricas de cachaça, em que não existem geladeiras para guardar o fermento, é utilizado o “fermento caipira”, fabricado pelo próprio produtor com um pouco da garapa misturada com fubá. Pode-se, também, utilizar outros materiais, como farelo de arroz, por exemplo.

Independente do fermento utilizado, esse processo deve ser concluído em aproximadamente 24 horas. O método usual para verificar o fim da fermentação é quando o caldo começa a soltar borbulhas de forma uniforme e com cheiro agradável, com leve aroma de frutas. O fermento depositado no fundo da dorna costuma ser reutilizado na próxima fermentação.

O vinho é retirado por gravidade das dornas de fermentação e levado diretamente para a destilação nos alambiques. Na etapa de destilação, não é aproveitado o álcool inicial (cabeça) e final (calda). Utiliza-se para a comercialização somente o álcool do meio da destilação (corpo ou coração), 80% do material destilado.

Após a retirada do álcool, este é padronizado para que o teor alcoólico fique entre 38 e 54%. A partir disso, a cachaça já pode ser engarrafada (Figura 8) ou ir para tonéis de madeira para envelhecimento (Figura 9 e 10). A cachaça envelhecida tem sabor e aroma mais agradáveis do que a cachaça recém destilada, o que lhe agrega maior valor.

Mercado 

O preço do produto e a forma de comercialização também são diferentes. A cachaça industrial é vendida em torno R$0,70 o litro na destilaria e é comercializada em larga escala, tanto no mercado interno quanto no externo. A pinga artesanal consegue um valor de, no mínimo, R$1,30 por litro e, dependendo da forma como é comercializada, pode chegar, em média, a R$4,50 a R$6,00 por litro.

Em lojas especializadas, a cachaça artesanal é vendida a preços muito altos, dependendo da marca, podendo ultrapassar o valor de R$200,00 por uma garrafa de 700 mililitros. Ou seja, o valor agregado na produção artesanal é muito elevado, já que o consumidor adquire um produto praticamente exclusivo.

Outra forma de agregação de valor ao produto são os certificados de qualidade e os certificados socioambientais, como o orgânico e/ou o de indicação geográfica. A cachaça produzida em Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, foi a primeira a conseguir o certificado de indicação geográfica como denominação de origem.

Para exportação, o preço varia entre US$1,00 e US$2,50 o litro, que é vendido no mercado internacional por US$ 20,00 a US$24,00 por litro. Segundo estimativas do PBDAC, espera-se que as exportações cheguem a 100 milhões de litros em dez anos, pois a qualidade da cachaça brasileira vem melhorando a cada safra e conquistando cada vez mais consumidores estrangeiros, sobretudo os europeus.

Fontes consultadas:

MARTINELLI, D. P.; SPERS, E. E.; COSTA, A. F. Ypióca – introduzindo uma bebida genuinamente brasileira no mercado global. In: CONGRESSO ANUAL DO PENSA (PROGRAMA DE ESTUDOS DOS NEGÓCIOS DE SISTEMA INDUSTRIAL), 10., 2000, São Paulo. Anais … [São Paulo, 2000].

RODRIGUES, L. R.; OLIVEIRA, E. A. A. Q. de. Expansão da exportação de cachaça brasileira: uma nova oportunidade de negócios internacionais. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 11.; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 7., 2006, São José dos Campos. [Anais…]. [São José dos Campos: Univap, 2007].

 

 

 

Tá com vontade de comer um docinho?

Deu vontade de comer doces? Confira essa receita deliciosa de Pavê:Pavê

Ingredientes:
Lata de leite condensado
Lata de leite (medida da lata do leite condensado)
3 colheres (chá) de maizena
Lata de creme de leite
Barra de chocolate
Bolacha maizena (aproximadamente 1 1/2 pacote)

Modo de Preparo:

Dissolva a maizena no leite. Coloque no fogo o leite condensado e o leite até engrossar mexendo sem parar.
Desligue o fogo. Coloque imediatamente a barra de chocolate sem ralar ou cortar (mas reserve 4 quadrados) direto no creme quente e a lata de creme de leite e mexa bem até misturar e virar um creme consistente. Em seguida monte o pavê com camadas de bolacha (quebre ao meio) e creme (quente mesmo) até terminar com o creme. 
Se desejar, rale o chocolate que restou e jogue por cima.

Como diria o outro: “Esse aqui não é só pavê e pra comer também!”

 

Grafologia

Grafologia é o estudo da escrita manual, especialmente quando empregado como método para análise da personalidade. Os verdadeiros peritos em escrita manual são conhecidos como grafotécnicos, ou periciadores de documentos, não como grafólogos. Os periciadores de documentos levam em conta os laços, pingos nos “i” e cortes nos “t”, espacejamentos das letras, inclinações, alturas, arremates, etc. Examinam a caligrafia para determinar autenticidade ou falsificação.

Os grafólogos examinam laços, pingos nos “i” e cortes nos “t”, espacejamentos das letras, inclinações, alturas, arremates, etc., mas acreditam que essas minúcias da escrita sejam manifestações de processos mentais inconscientes. Acreditam que tais detalhes possam revelar tanto sobre uma pessoa como a astrologia, a quiromancia, a psicometria, ou o indicador Myers-Briggs de tipos de personalidade. No entanto, não há nenhuma prova de que a mente inconsciente seja um reservatório que guarda a verdade sobre uma pessoa, muito menos de que a grafologia ofereça um portal para esse reservatório.

Afirma-se que a grafologia serve para tudo, desde entender questões de saúde, moral e experiências passadas a talentos ocultos e problemas mentais.

Porém, “em estudos adequadamente controlados e cegos, em que as amostras de caligrafia não contêm nada que possa fornecer informações não grafológicas nas quais se possa basear uma predição (por exemplo, um trecho copiado de uma revista), os grafólogos não se saem melhor que o acaso na predição… de traços de personalidade….” [“The Use of Graphology as a Tool for Employee Hiring and Evaluation [Uso da Grafologia Como Ferramenta Para a Contratação e Avaliação de Empregados],” da Associação das Liberdades Civis de British Columbia] E mesmo os que não são experts são capazes de identificar o sexo da pessoa que escreveu em cerca de 70% das vezes (Furnham, 204).

Os métodos usados pelos grafólogos variam.

Mesmo assim, as técnicas desses “peritos” parecem se resumir a itens como a pressão exercida sobre a página, espacejamento de palavras e letras, cortes nos “t”, pingos nos “i”, tamanho, inclinação, velocidade e regularidade da escrita. Embora os grafólogos neguem, o conteúdo da escrita é um dos fatores mais importantes na avaliação grafológica da personalidade. O conteúdo de uma mensagem, naturalmente, independe da caligrafia e deveria ser irrelevante na avaliação.

Barry Beyerstein (1996) considera as idéias dos grafólogos nada mais que magia simpática. Por exemplo, a idéia de que deixar espaços em branco entre as letras indica tendência ao isolamento e solidão porque os grandes espaços indicam alguém que não se relaciona facilmente e que não se sente confortável com a proximidade. Um desses grafólogos afirma que uma pessoa revela sua natureza sádica se cortar os ‘t’ com linhas que se assemelham a chicotes.

Como não há nenhuma teoria útil de como a grafologia poderia funcionar, não é surpresa o fato de não existirem indícios científicos de que nenhuma característica grafológica tenha correlação significativa com qualquer traço de personalidade interessante.

Adrian Furnham escreve

Os leitores familiarizados com as técnicas da leitura a frio serão capazes de entender por que a grafologia parece funcionar e por que tantas pessoas (inteligentes em outras circunstâncias) acreditam nela. [p. 204]

Acrescente-se à leitura a frio o Efeito Forer ou Barnum, a predisposição para a confirmação, e o reforço comunitário, e temos uma explicação bastante completa para a popularidade da grafologia.

A grafologia é mais uma ilusão daqueles que querem um método rápido e rasteiro de tomar decisões para lhes dizer com quem se casar, quem cometeu o crime, a quem contratar, que carreira seguir, onde achar boa caça, onde encontrar água, petróleo ou o tesouro escondido, etc. É mais um elemento na longa lista de substitutos enganosos para o trabalho duro. É atraente para os que se impacientam com questões problemáticas como a pesquisa, análise de indícios, raciocínio, lógica e teste de hipóteses. Se você quer resultados, e os quer imediatamente e expressos em termos fortes e determinados, a grafologia serve. Se, no entanto, você puder conviver com probabilidades razoáveis e incertezas, pode tentar outro método para escolher uma esposa ou contratar um empregado.

Se, por outro lado, você não se importar em discriminar pessoas com base em bobagens pseudocientíficas, pelo menos tenha a coerência de usar um tabuleiro Ouija para ajudá-lo a escolher o grafólogo certo.

Em sua última entrevista para um emprego, tudo correu bem, você tinha certeza que o cargo seria seu, mas estranhamente não retornaram a ligação. Talvez você nem suspeite, no entanto seus garranchos, isto mesmo, sua letra talvez o tenha eliminado. Apesar de não haver comprovação científica sobre a validade da análise da escrita para determinar personalidade ou desempenho profissional, a grafologia é utilizada por mais de um terço das empresas no Brasil para contratação de pessoal e avaliação interna de funcionários

O que é a grafologia e como ela surgiu

A grafologia é, em um sentido amplo, o estudo da escrita (do grego graphos, escrita e logos, estudo ou tratado). Mas em sua acepção mais comum é uma metodologia utilizada para inferir atributos psicológicos, sociais, ocupacionais e médicos de uma pessoa a partir da configuração de suas letras, linhas e parágrafos. Segundo os grafólogos, estas informações são tiradas somente da escrita e não do texto em si. A grafologia afirma ser possível determinar se alguém é um líder, um empreendedor ou um estorvo para a empresa, apenas analisando a sua letra e diz também ser possível determinar até a compatibilidade matrimonial.

A premissa básica da grafologia é que como o cérebro é a fonte da escrita e somente os seres humanos possuem esta capacidade, a personalidade e as emoções atuam sobre o gesto gráfico. Assim, se sua letra T possui uma haste muito alta é sinal de vaidade por se considerar melhor do que os outros, ou se você esquece de cortar os Ts é porque você é uma pessoa esquecida.

Aqui cabe fazer uma distinção entre grafologia e Grafotecnia (ou Grafoscopia). Esta última está relacionada à análise da letra como uma característica individual do ser humano e é a base das perícias para verificação de autenticidade de assinaturas. Quando escrevemos, os gestos são tão automatizados que nossa mão se move duas vezes mais rápido do que podemos controlar conscientemente. Assim, introduzimos certas características muito sutis, um ganchinho aqui, uma leve mudança de inclinação lá, que quando feitas de modo intencional por um falsário, por exemplo, perdem certas características de dinamismo que permitem identificar o lançamento como falso ou inautêntico. Mesmo quando a pessoa tenta disfarçar a letra, muitas vezes é possível encontrar suas características, seus hábitos gráficos, permitindo identificar quem falsificou uma determinada assinatura. Assim, mesmo com várias tecnologias para identificação de pessoas (reconhecimento de voz, leitura da íris, etc), a assinatura ainda continua sendo a mais utilizada, pela sua simplicidade, confiabilidade e baixo custo. E, como é comum nas pseudociências, a grafologia segue no esteio de sua parente científica, a Grafotecnia. O criador das leis do grafismo, base da Grafotecnia, Solange Pellat, também investigou a ligação entre a escrita e a personalidade.

Uma coisa não valida a outra: Newton também estudou alquimia e escreveu mais sobre ela do que sobre a Ótica! Nem mesmo os grandes gênios estão corretos 100% das vezes.

A grafologia tem acompanhado a civilização desde a própria invenção da escrita. Os romanos, gregos, chineses, cristãos e judeus procuravam traços da personalidade das pessoas em sua caligrafia. No entanto, foi somente no século XIX, na França, que o termo grafologia foi criado pelo abade Jean-Hippolyte Michon, apesar do primeiro trabalho sobre algo parecido com o que hoje chamamos de grafologia ter sido publicado pelo médico italiano Camillo Baldi, ainda no século XVII.

São os escritos de Michon que formam a base da grafologia “analítica” ou “atomista” atual, onde os traços da personalidade são inferidos a partir de características da letra em si, como a posição e tipo dos pingos nos i’s, em oposição à grafologia “holística”, criada por um discípulo dele, Crepieux-Jamin, na qual o analista utiliza uma impressão geral que o escrito como um todo lhe inspira para inferir os traços da personalidade. Essa não é apenas a única divergência entre especialistas em grafologia. Dependendo do autor consultado, uma mesma característica, tal como a inclinação da escrita, pode representar nuances de personalidade totalmente diferentes, como se vê no exemplo mais adiante. Desde então muitos outros se especializaram no assunto e vêm publicando livros e ganhando (muito) dinheiro com este tipo de análise. No Brasil, o marco da grafologia é a publicação do livro “A Grafologia em Medicina Legal” do Dr. Costa Pinto em 1900 e hoje, existe, inclusive, uma Sociedade Brasileira de Grafologia.

Existem vários cursos e organizações grafológicas dentro e fora do país e alguns cursos, apesar da falta de base científica para tal prática, são ministrados em Universidades, principalmente na Itália, França, Espanha e Israel.

Investigando a grafologia

O raciocínio ao qual os grafólogos se apegam é que a escrita é comandada pelo cérebro (em inglês “handwriting is brainwriting”) e como o cérebro é a fonte da personalidade, logo a escrita reflete a personalidade. É verdade que a personalidade pode influenciar o desenvolvimento do potencial genético das habilidades motoras do ser humano. É fácil entender como fatores como ousadia, agressividade, persistência, vontade de participar em atividades em grupo determinam o quanto uma criança irá se desenvolver, tendo em vista a importância das habilidades motoras ensaiadas em grupo. O controle motor fino exigido para atividades como tocar um instrumento musical, tricotar ou escrever é um refinamento das habilidades motoras gerais e também vai depender de persistência e concentração.

Então é de se esperar que pessoas perseverantes e com alta capacidade de concentração possuam boa caligrafia. E só. As correlações entre os aspectos gráficos da escrita como inclinação, pressão e gênese das letras e os aspectos individuais da personalidade precisam ser demonstradas através de estudos cientificamente rigorosos que sejam verificados independentemente.

Apesar da roupagem pretensamente científica que toda pseudociência possui, a grafologia se baseia no mesmo princípio do mais primitivo (e do mais atual) pensamento mágico: o princípio da similaridade. Encontramos o princípio da similaridade desde a homeopatia até às práticas de vodu, nas quais uma imagem de uma determinada pessoa é utilizada para influenciá-la positiva ou negativamente. Também é encontrado na astrologia, onde, por exemplo, pessoas do signo de Touro possuiriam as características deste animal, como a teimosia. Assim, na grafologia, para citar alguns exemplos, letras de pessoas raivosas apresentariam grande pressão e linhas retas, ao passo que amor é expresso através de letras curvilíneas e com leve pressão. A tristeza ou pessimismo seriam traduzidos por linhas descendentes, assim como otimismo por linhas ascendentes. Um punho inconstante com letras sendo desenhadas de forma diferente todo o tempo representaria pessoas “inconstantes”. Aparentemente, características físicas como um gingado ao caminhar também aparece em uma escrita “gingada (The Complete Idiot’s Guide to Handwriting Analysis, por Sheila R. Lowe).

Somente porque a lei da similaridade aparece como base de várias superstições e pseudociências, não significa que esteja sempre errada. Então necessitamos de estudos científicos para comprovar ou não se características da letra podem dizer algo sobre uma pessoa. Muitos grafólogos, quando perguntados sobre as evidências científicas que validam suas práticas, apresentam livros escritos por outros grafólogos que também não se baseiam em estudos científicos.

Outro típico erro de avaliação é o famoso: “eu uso e dá certo comigo e meus clientes que nunca reclamaram”. Se isto soa familiar é porque astrólogos e outros pseudocientistas usam este mesmo tipo de argumento.

Não podemos deixar de mencionar os mesmos fatores que parecem validar todas estas “metodologias de autoconhecimento”: a leitura fria, através da qual o “analista” vai colhendo pequenas pistas para obter informações acerca desta pessoa sem que ela perceba (no caso da grafologia, as pistas são obtidas quando textos de caráter pessoal são utilizados nas análises); o efeito Forer, também conhecido como validação subjetiva, que faz com que as pessoas se reconheçam em descrições psicológicas vagas e abrangentes que poderiam ser aplicadas a qualquer um. Além destes, outros fatores fazem com que as pessoas acreditem que uma determinada descrição contém a verdade sobre sua personalidade. Um deles é falta de real autoconhecimento – você não está muito certo sobre suas características pessoais, logo você procura uma destas “metodologias para o autoconhecimento” e quaisquer características ditas como sendo suas serão aceitas, desde que não sejam muito excêntricas, tipo “você é um assassino em série em potencial, dadas as circunstâncias corretas você certamente irá matar alguém”. Principalmente, porque as descrições apresentadas são vagas de forma que quase qualquer pessoa se encaixa.

Também é bastante comum a tentativa de validação da grafologia através do grau de satisfação dos gerentes de empresas com os empregados contratados através deste tipo análise. No entanto, para uma análise completa seria preciso analisar também o desempenho de um outro grupo – pessoas que foram reprovadas no teste da grafologia. Só assim seria possível confirmar que a análise grafológica é uma metodologia válida de seleção, pois talvez os gerentes ficassem ainda mais satisfeitos com este outro grupo. E como ter certeza que excelentes profissionais não estão deixando de ser contratados simplesmente porque sua assinatura não está de acordo com o que a escola daquele grafólogo segue? Afinal de contas, não existe um consenso entre eles.

Por exemplo, no livro de Peter West, “Grafologia”, ele afirma que a uma barra do T minúsculo curta significa “falta de autocontrole; não gosta de disciplinas impostas”, ao passo que Maurício Xandró em seu “Grafologia para Todos”, explica que este mesmo tipo de barra “é um sinal de potência volitiva não isenta de autocontrole (…) há controle de si mesmo, esforço bem dirigido e domínio”. Uma mesma pessoa teria avaliações completamente opostas!

No entanto, não é necessário se preocupar, basta descobrir a escola do grafólogo que presta consultoria para sua empresa (muitas fazem este tipo de consulta não só para a contratação como também para promoção de pessoal) e fazer algumas sessões de grafoterapia. Basicamente consiste em educar sua letra para deixar de fazer aquelas características negativas e assim, dizem os grafólogos, modificar a sua personalidade. Depressivo? Nada de Prozac! Basta copiar alguns textos com letras grandes em linhas ascendentes até que esse passe a ser seu tipo de letra. Fácil e barato.

Os grafólogos também alegam poder diagnosticar doenças como hipocondria, paranóia, esquizofrenia e depressão, mas não há estudos científicos publicados em revistas de renome, que suportem tais alegações. No entanto é possível encontrar anúncios de cursos de grafologia que dizem explicitamente que após a conclusão o aluno será capaz de realizar a “detecção de casos de hipocondria, depressão, pressão arterial, cleptomania e doenças de fins neurológicos”. E que tal a seguinte descoberta de Maurício Xandró, apresentada em seu livro “Grafologia para Todos”? Ele afirma ser possível afirmar pela observação do seu D maiúsculo, se uma pessoa é crente ou atéia. Ele deixa claro que isto só é possível para aquelas em cuja língua mãe deus é iniciado pela letra D.

E que tal ser considerado, pelo mesmo autor, uma pessoa libidinosa, apresentando “sonhos eróticos, interesse por assuntos libidinosos ou pornográficos, procura por prazer sexual”, só porque seu G minúsculo apresenta um “pé”, a parte inferior, exagerada?

A verdadeira ciência por trás da grafologia

Pelo menos, uma das alegações da grafologia é cientificamente comprovada: algumas doenças podem ser identificadas através da escrita. O mal de Parkinson, quando em seu estágio menos desenvolvido, pode levar a uma mudança na escrita da pessoa, que se torna pequena, comprimida e lenta.

A análise da escrita pode fornecer elementos que quando somados a um diagnóstico clínico podem auxiliar o diagnóstico de certas doenças neurológicas. Por exemplo, “Maneirismos ocorrem em esquizofrênicos, oligofrênicos e histéricos, e são caracterizados por gestos artificiais, ou linguagem e escrita rebuscada, com uso de preciosismo verbal, floreados estilísticos e caligráficos, etc…”. Mas disso vai uma longa distância a poder diagnosticar esquizofrenia após concluir um curso noturno de grafologia.

Pessoas com a doença neurodegenerativa de Huntington escrevem com diferentes velocidades e aquelas apresentando demência têm uma escrita constantemente alterando entre padrões acelerados e desacelerados, que resulta em um aspecto pictórico de aparência nervosa. Um fato interessante é que a letra não muda em seus aspectos mais importantes, mesmo que a pessoa escreva com a mão esquerda se for destra, ou utilize outro membro, a não ser que áreas ligadas à habilidade motora do cérebro sejam afetadas.

Porém para realizar estes diagnósticos é preciso mais do que a simples capacidade de observação humana. Os cientistas utilizam tablets (pranchetas de captura digital), que permitem não só registrar a escrita formalmente, mas também registrar em valores absolutos parâmetros como velocidade, pressão, aceleração e ritmo. Assim, é possível verificar como um determinado medicamento afeta o cérebro do paciente ou mesmo o progresso da terapia pela melhora na letra ou desenhos, já que não é somente a escrita que á analisada, mas também a habilidade para desenhar.

Esta nova disciplina chamada Grafonômica (do original em inglês, Graphonomics) surgiu no início dos anos 80 e visa verificar quais são os processos neuromotores por trás da escrita e desenhos humanos. Portanto, existe uma ciência baseada na escrita, mas não como a grafologia é vendida por aí.

Controvérsia

A principal crítica à grafologia é a inexistência de base científica que sustente o uso dessa técnica para a investigação da personalidade. Mesmo assim ela continua sendo utilizada pelas empresas como ferramenta de apoio à decisão.

A técnica de análise grafológica também é criticada por utilizar regras associativas de caráter simbólico ou analógico sem validade comprovada.

Por exemplo: palavras muito espaçadas demonstram tendência ao isolamento; escrita inclinada à esquerda simboliza ligação com o passado; letras pequenas são sinal de boa concentração mental.

Os críticos da grafologia alegam ainda que não há nenhuma prova de que a mente inconsciente seja um reservatório que guarda a verdade sobre uma pessoa, e muito menos de que a grafologia ofereça um portal para esse reservatório.

Por essas razões a grafologia é considerada uma pseudociência, à semelhança da fisiognomonia.

Os céticos acusam a grafologia de não possuir bases científicas, contudo até o presente momento, quase 100 anos de depois de Alfred Binet ter realizado testes com a grafologia na Universidade de Sorbonne, nenhum estudo conseguiu provar o contrário em relação a espetacular média de acertos feito por Crépieux-Jamin – em alguns casos mais de 80%. (Les revelations de l’ecriture d’apres un controle scientifique, Alfred Binet).

Dicas

1- Não assinar sobrepondo letras (escrevendo uma sobre a outra).

2- Não assinar fazendo traços embolados, traçando rolos sobre rolos e um emaranhado de traços dentro. Muitas pessoas  alegam que fazem essas assinaturas “esdrúxulas” para evitar serem falsificadas, mas isso é uma bobagem.

3- Não assinar puxando o último segmento da assinatura (ou toda a linha base da assinatura) para baixo (ladeira a baixo – indicador de depressão).

4- Não assinar fazendo as maiúsculas muito grandes e as minúsculas muito miudinhas (pode indicar instabilidade e altos de baixos radicais na vida).

5. Não assinar e depois passar um risco no meio da assinatura.

6- Ideal é assinatura legível ou parcialmente legível (de forma que se possa identificar o assinante, isso dá confiabilidade, mostra uma pessoa que não se esconde ou não tem nada a esconder).

7- Assinar fazendo a linha base da assinatura “subir uma ladeira”, como se fosse um avião inciando a decolagem (esse é um traço de auto confiança, de positividade, e autoestima elevada).

8- Evitar desenhar as letras muito mirradinhas, ou “desmanchadas quase se transfmando em traço. (isso pode ser um indicativo de baixa auto estima e sensação de perda de relevância social ou afetiva).

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